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Na condição de anfitriã, a Universidade de Brasília, e por conseguinte a Ouvidoria da UnB, teve a grata satisfação de acolher o IV Encontro Regional de Ouvidores Universitários do Centro-Oeste.

Nesse Encontro, houve debates frutíferos, dos quais muitas sementes de ideias foram lançadas e encontraram terreno fértil para a formação e a capacitação de todos os presentes, em particular, dos próprios ouvidores, sujeitos com alma de poeta. Possuidores de coração gigante fascinado pela alteridade e que, imbuídos da condição de homem-ferramenta, buscam respostas às perguntas e inquietações de seu cotidiano.

O evento teve como marco legal a comemoração de três celebrações:

(i) os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, marcados durante todo o ano de 2018 e que desafiou a Universidade a refletir acerca do lema: como construir uma universidade mais humana? (ii) os 56 anos da Universidade de Brasília e (iii) os 7 anos que a Ouvidoria da UnB foi instituída, embora esta Ouvidoria exista há 25 anos, sendo a segunda ouvidoria universitária do Brasil (a primeira foi a Universidade Federal do Espírito Santo).

Os debates foram abertos mediante um olhar histórico e dialético que trouxe à tona as seguintes inquietações: quem somos? O que não somos? E o que gostaríamos de ser?

No que tange à Declaração Universal dos Direitos Humanos, os participantes foram convidados a comporem a geração de sonhadores que acreditam e velam por uma sociedade justa, serena, igualitária. Um mundo fundamentado no alicerce da paz, do respeito e do amor fraternal. Tendo esse referencial enquanto o nosso espectro, o reflexo de nossa história na condição de educadores.

No limiar da Universidade de Brasília, nas palavras de Darcy Ribeiro, explicitou-se a sua função social no momento de sua criação, a saber: criada para que ousasse, a fim de que, à vanguarda de seu tempo, se estruturasse como a Universidade Nova, na Nova Capital, sendo um centro nacional de criatividade científica e cultural, que pensa o Brasil como problema e lhe propõe soluções. A UnB é um sublime projeto de autonomia e de liberdade para pensar, para pesquisar, para ensinar, para experienciar.

Por sua vez, destacou-se o papel das ouvidorias universitárias, embasado na sua área de atuação e seus pressupostos básicos, os quais são: transparência, ética, respeito, controle e participação social, dentre outros.

Mas, sobremodo, com um olhar de sensibilidade e de alteridade, o que pode ser comprovado no excerto: “não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma”.

Na sequência, reforçou-se o acolhimento e a afetividade, conforme cita Henri Wallon. E, quiçá, transformando ouvidores em escritores.

Escritores de um novo tempo, de uma nova história, de um novo final feliz.

Utópicos que, nas asas da liberdade, do respeito, da hombridade, acreditam e defendem uma universidade pública, gratuita, de qualidade, democrática, mas, sobremodo, humana e acolhedora. E que, não obstante defendê-la, trabalham bastante para que esse projeto se concretize, certamente, o caso de todos os ouvidores.

Para além dessas falas iniciais, mediante a palestra do Ouvidor-Geral da União, Gilberto Waller Junior, compreendeu-se a importância de que procedimentos e processos sejam simplificados, ressaltando-se, por exemplo, que os relatórios são excelentes instrumentos de governança e de accountability, que podem transformar in puts em indicadores, mediante uma atuação articulada e em rede. Na prática, uma ouvidoria é educadora, é a pedagogia da Administração, que pode contribuir para uma práxis de resultados, eficiente e eficaz e, ainda, para a desconstrução das ouvidorias simbólicas, fomentando, por conseguinte, os espaços democráticos e a inovação no contexto das universidades.

Foram ilustrados dados da Ouvidoria da UnB, bem como tratados temas como a resolução de conflitos (Quem somos? Como nos vemos e como o outro nos vê?), questão da violência contra a mulher, políticas públicas sobre drogas e gênero, assuntos profundamente engendrados nos contextos de atendimento das ouvidorias, no qual, um dos grandes desafios é trabalhar o nosso silêncio, para que na escuta, o protagonismo seja do outro, conforme cita Rubem Alves: “sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.”

Por fim, deixou-se a seguinte reflexão a respeito do papel social das universidades, proveniente de um dos maiores educadores nacionais e do histórico da Universidade de Brasília:        

De tudo isso que poderia ter sido, só se salvou o Minhocão. Mas ao seu lado, quanta arquitetura pretensiosa, vitrineira e tola. Meditando ali, naquela tarde, frente ao que é hoje o campus da UnB, eu aprendi que uma universidade não é apenas um conjunto de edifícios na tarde do cerrado goiano. A UnB é uma utopia vetada, é uma ambição proibida, por agora, de exercer-se. Mas permanece sendo, esperando, como a nossa utopia concreta, pronta a retomar-se para se repensar e refazer, assim que recuperarmos a liberdade de definir o nosso projeto como povo e a universidade que deve servi-lo. (RIBEIRO, 1978, p. 41).

Muito obrigada,

Equipe da Ouvidoria da UnB